Bancários fazem paralisação nacional de 24 horas e cobram reajuste com 5% de aumento real
Paralisação dos Bancários
Redação

Bancários fazem paralisação nacional de 24 horas e cobram reajuste com 5% de aumento real
Em Rondonópolis, sindicato afirma que mobilização busca pressionar bancos a avançarem nas negociações da campanha salarial
Bancários de todo o Brasil realizam nesta quinta-feira (20) uma paralisação nacional de 24 horas durante as negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2026. O movimento foi aprovado após a categoria rejeitar uma proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban).
Em Rondonópolis e na região Sudeste de Mato Grosso, a mobilização também é acompanhada pelo sindicato da categoria.
Segundo Almir Araújo, tesoureiro do Sindicato dos Bancários de Rondonópolis e Região Sudeste de Mato Grosso, a principal reivindicação é a reposição integral da inflação acrescida de 5% de aumento real nos salários.
A reivindicação nacional também inclui valorização dos pisos salariais, aumento dos valores dos vales-refeição e alimentação e melhorias na Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Reivindicação não significa reajuste de 10% ou 11%
Durante entrevista, Almir estimou que a inflação poderia ficar próxima de 6% e afirmou que, somada aos 5% de ganho real, a reivindicação poderia chegar à faixa de 10% a 11%.
No entanto, para evitar confusão, o dado deve ser entendido como uma estimativa apresentada pelo sindicalista, e não como um índice oficial já definido para o reajuste.
A pauta nacional aprovada pela categoria estabelece reposição integral da inflação medida pelo INPC mais 5% de aumento real. Portanto, o percentual final dependerá do índice inflacionário utilizado na data-base e, principalmente, das negociações entre trabalhadores e bancos.
Proposta dos bancos foi rejeitada
A paralisação foi aprovada depois que os bancários rejeitaram uma proposta da Fenaban que previa reajustes diferenciados por faixas salariais.
Segundo informações divulgadas pelo movimento sindical, a proposta foi rejeitada por cerca de 97% dos trabalhadores em consulta nacional, enquanto aproximadamente 90% se manifestaram favoravelmente à paralisação de 20 de agosto.
Em São Paulo, por exemplo, a proposta foi rejeitada por 97,66% dos votantes, e 89,34% aprovaram a paralisação.
Metas abusivas e saúde dos trabalhadores também estão na pauta
Além das questões econômicas, o sindicato chama atenção para as condições de trabalho nos bancos.
Almir Araújo afirmou que a categoria enfrenta forte pressão por metas e destacou o aumento de casos de adoecimento entre trabalhadores.
Segundo ele, problemas relacionados à saúde mental, uso de medicamentos e pressão no ambiente de trabalho estão entre as preocupações do movimento sindical.
“Existe toda uma pressão na cabeça do trabalhador”, afirmou o tesoureiro durante a entrevista.
A pauta nacional dos bancários também inclui o combate às metas abusivas e a defesa de melhores condições de trabalho.
Plano de saúde também é motivo de negociação
Outro ponto citado pelo representante sindical são as questões específicas de cada banco.
Ele explicou que instituições como Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander possuem condições diferentes em relação a planos de saúde, previdência e outros benefícios.
No caso da Caixa, por exemplo, trabalhadores vêm questionando mudanças no custeio do Saúde Caixa. Uma das propostas discutidas prevê aumento da participação dos empregados no plano.
Paralisação é de 24 horas
Apesar de ser chamada de “greve” em alguns locais, o movimento desta quinta-feira foi definido pela categoria como uma paralisação de 24 horas.
A mobilização não representa, neste momento, uma greve por tempo indeterminado. O objetivo é pressionar a Fenaban a apresentar avanços nas negociações.
A paralisação pode afetar o atendimento presencial nas agências, mas os canais digitais, aplicativos, internet banking, Pix e caixas eletrônicos continuam sendo alternativas para os clientes.
Segundo Almir, a categoria espera que a mobilização ajude a acelerar as negociações.
“É uma forma, é um mecanismo que a gente tem para poder forçar o banco a sentar na mesa de negociação e fazer uma negociação séria”, afirmou.
As negociações entre representantes dos trabalhadores e dos bancos seguem no âmbito da Campanha Nacional dos Bancários 2026. Na terça-feira (18), ocorreu a oitava rodada de negociação com a Fenaban.







COMENTÁRIOS